Título da Redação: Segregação sem fronteiras

Proposta: A “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia

Redação enviada há cerca de 3 anos por Gabriel Teles


A Reforma Urbana realizada por Pereira Passos no Rio de Janeiro no início do século XX foi, provavelmente, uma das primeiras manifestações do efeito “camarote” da sociedade brasileira. O cenário do evento incluía, principalmente, a construção de locais espaçosos para o fluxo de indivíduos da elite – o que resultou na derrubada de moradias da população pobre, sobretudo ex-escravos. Atualmente, tal efeito ainda é evidente e precisa ser combatido: é notável a segregação de pessoas de acordo com a sua condição social e financeira, o que fere profundamente o princípio de equidade da democracia.
Talvez, o cenário mais marcante da segregação entre classes sociais é a distribuição física da população de uma cidade. É gritante a diferença entre as moradias de pessoas ricas e pobres, que, geralmente, se limitam aos padrões de vida dos seus bairros. É perceptível que essa lógica se aplica também em outros contextos: festas e estádios de futebol estão entre os cenários clássicos. Entretanto, o maior problema da dita “camarotização” está na sua capacidade de estar além das citadas barreiras físicas.
A transcedência de tais barreiras surge a partir dos princípios básicos do consumismo. Quando o “ter” supera o “ser”, a tendência é que pessoas se distanciem pelo simples fato de ter maior poder aquisitivo e material. Essa nova etapa de “camarotização” provoca a necessidade de consumo em todos os indivíduos - independente de sua classe social – segregando ainda mais aqueles que não têm condições de competir na corrida de consumo. É perceptível, nesse contexto, o caráter anti-democrático da população brasileira.
Portanto, é evidente que a segregação vivenciada no governo de Passos no Rio de Janeiro continua existindo, porém, com a diferença de que hoje existem barreiras que vão além das fronteiras físicas. Para a existência do princípio de equidade concreta, torna-se necessária a ação do governo e de agentes públicos para melhorar as condições, principalmente, das classes mais baixas; para tanto, o investimento em educação é fundamental, visto que esta medida resultaria em um menor distanciamento entre o ensino público e privado e, consequentemente, entre pessoas de classes sociais diferentes.

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