Tema de redação
O progresso: entre o científico e o moral

Textos motivadores

Texto 1

O mito do progresso
“No alvorecer do século XXI, o paradoxo está em toda parte. A capacidade de produzir mais e melhor não cessa de crescer e é assumida pelo discurso hegemônico como sinônimo do progresso trazido pela globalização. Mas esse progresso, discurso dominante das elites globais, traz também consigo exclusão, concentração de renda, subdesenvolvimento e graves danos ambientais, agredindo e restringindo direitos humanos essenciais.
Mais inquietantes que os perigos nucleares são agora, no entanto, os riscos decorrentes da microbiologia e da genética, com seus graves dilemas éticos e morais. Como equilibrar os benefícios potenciais da genética, da robótica e da nanotecnologia contra o perigo de desencadear um desastre absoluto que comprometa irremediavelmente nossa espécie? Um olhar sobre o século XX, com os imensos saltos da tecnologia e do conhecimento, mas com seus imensos passivos de guerras trágicas, miséria e danos ambientais, faz brotar com força a pergunta central: somos, por conta desse tipo de desenvolvimento, mais sensatos e mais felizes? Ou podemos atribuir parte de nossa infelicidade precisamente à maneira como utilizamos os conhecimentos que possuímos? As consequências negativas do progresso, transformado em discurso hegemônico, acumulam um passivo crescente de riscos graves que podem levar de roldão o imenso esforço de séculos da aventura humana para estruturar um futuro viável e mais justo para as gerações futuras.
O que significa, afinal, a palavra progresso no imaginário da sociedade global que vive o início do século XXI? Quais suas raízes arquetípicas e que projeção para o futuro pode ser imaginada sobre o conceito atual de progresso?
Sobre o sentido das palavras, o gnomo irascível Humpty Dumpty, em Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, afirma a Alice: “Quando utilizo uma palavra, ela significa precisamente aquilo que eu quero que ela signifique. Nada mais, nada menos”. Alice contesta que “o problema está em saber se é possível fazer que uma palavra signifique montes de coisas diferentes”. Ao que Humpty Dumpty, qual hegemona de plantão, replica altivamente: “O problema está em saber quem é que manda. Ponto final”.
Seria uma insensatez negar os benefícios que a vertiginosa evolução das tecnologias propiciou ao ser humano no deslocar-se mais rápido, viver mais tempo, comunicar-se instantaneamente e outras proezas que tais. Trata-se aqui de analisar a quem dominantemente esse progresso serve e quais os riscos e custos de natureza social, ambiental e de sobrevivência da espécie que ele está provocando; e que catástrofes futuras ele pode ocasionar. Mas, principalmente, é preciso determinar quem escolhe a direção desse progresso e com que objetivos.”
Dupas,G. O mito do progresso. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/0B5YyY_iQAfzRRzVUc1l0amRseDg/view?pref=2&pli=1>

Texto 2

Ética
“O progresso moral determina-se pela elevação do caráter consciente e livre da conduta dos indivíduos e dos grupos sociais e, em consequência, pela elevação da responsabilidade desses indivíduos ou grupos sobre seu comportamento moral. Nesse sentido, a comunidade primitiva apresenta-se a nós com uma fisionomia moral pobre, uma vez que seus membros atuam, sobretudo, com um grau muito baixo de consciência, liberdade e responsabilidade no que se refere às suas decisões. Uma sociedade é tanto mais rica moralmente quando mais ampla seja a margem que se oferece a seus membros para que assumam a responsabilidade pessoal ou coletiva de seus atos; significa dizer, quando mais ampla seja a margem que se oferece para aceitar conscientemente e livremente as normas que regulam as suas relações com os demais. Nesse sentido, o progresso moral é inseparável do desenvolvimento e da livre personalidade.”
Vázquez, A. S. Ética. Disponível em: <https://ifdc6m.juj.infd.edu.ar/aula/archivos/repositorio/500/535/ETICA_Sanchez-Vazquez-Adolfo.pdf>

Texto 3

Progresso humano e regresso ambiental
“O ser humano conquistou muitas vitórias nos últimos 250 anos, em especial, depois da reconfiguração mundial ocorrida após a Segunda Guerra Mundial. Em 1900, a população mundial – de cerca de 1,6 bilhão de habitantes – tinha uma esperança de vida em torno de 30 anos. Em 2000, a população tinha passado para 6 bilhões, com esperança de vida de 65 anos. Em 2011, a população chegou a 7 bilhões de habitantes e esperança de vida de 68 anos. Portanto, mesmo com o aumento sem precedentes da população, a humanidade não caiu na “armadilha malthusiana”, isto é, não houve limitação demográfica devido aos freios da mortalidade.
Ao contrário das previsões pessimistas, além do aumento do tempo médio de vida, houve melhoria das condições de moradia, aumento do nível médio da educação, redução do analfabetismo e redução da jornada média de trabalho. Em 2008, pela primeira vez na história, mais da metade da população mundial estava vivendo nas áreas urbanas. O número de automóveis passou de zero, em 1900, para 1 bilhão em 2010. O número de pessoas com acesso ao telefone (fixo e celular) e à luz elétrica passou de algo próximo do nada para 6 bilhões em 2010. É cada vez maior o número de domicílios com a presença de geladeira, fogão, máquina de lavar, televisão, rádio, computador, Internet, etc.
Embora exista muita desigualdade social no mundo, o aumento do padrão de vida médio do ser humano avançou consideravelmente, quando comparado com qualquer período anterior da civilização.
[…]
A humanidade deu um grande salto e se tornou uma força em escala planetária. Pode-se dizer, sem dúvidas, que houve progresso humano desde o início da Revolução Industrial, em 1750, especialmente no último século e, mais particularmente, nas 6 décadas passadas. Mas o mesmo não se pode dizer em relação ao meio ambiente, pois o progresso da humanidade aconteceu às custas da regressão das condições ambientais.
As áreas de florestas estão diminuindo para atender a demanda de madeira e a demanda de espaço para a agricultura e a pecuária. Espécies invasoras substituem a vegetação original. O mau uso do solo provoca erosão, salinização e desertificação. A poluição dos rios diminui a disponibilidade de água doce e provoca a mortandade de peixes. Lagos, como o mar da Aral, estão diminuindo ou secando para atender aos interesses da irrigação. A contaminação química e os agrotóxicos matam indiscriminadamente a vida terrestre e aquática. Aquíferos fósseis estão desaparecendo e os aquíferos renováveis não estão conseguindo manter os níveis de reposição dos estoques. A vida nos oceanos está ameaça pelo processo de acidificação. Os mangues e corais estão sendo destruídos a uma taxa alarmante. Aumentam as taxas de perda da biodiversidade
(medida da diversidade de organismos vivos presentes em diferentes ecossistemas), com o aumento da degradação dos ecossistemas e a extinção da vida selvagem. O aumento das emissões de gases de efeito estufa estão provocando o aquecimento global, tendo como consequência o derretimento das geleiras e das camadas de gelo, provocando o aumento do nível dos oceanos. As áreas produtivas da Terra diminuem, enquanto crescem os aterros para receber o crescente volume de lixo e resíduos sólidos.
[…] A questão que se coloca é: pode haver continuidade do progresso humano com a manutenção das tendências de regressão das condições ambientais? O desafio do século XXI será descobrir o xis deste problema, buscando resolver adequadamente esta difícil equação.”
Alves, J. E. D. Progresso humano e regresso ambiental. Disponível em: <https://www.ecodebate.com.br/2012/06/20/progresso-humano-e-regresso-ambiental-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/>

Texto 4

progressis

Cutts, Steve. Man. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=cM1Bx5ptVno>

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