Título da Redação: Rolezinhos e áreas VIP: a camarotização da sociedade brasileira

Proposta: A “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia

Redação enviada há quase 3 anos por Mariana Galvani


No cenário brasileiro contemporâneo, o poder aquisitivo tem sido o fator predominante para a segregação social. A influência socioeconômica dos cidadãos caracteriza os tipos de serviços a quais estes terão acesso. A democracia, que prevê direitos iguais para os indivíduos, independentemente de seu poder econômico, é enfraquecida com a “camarotização” da sociedade brasileira.

Há uma mistura entre os conceitos de cidadania e consumo. A proposição democrática de acesso igual aos direitos básicos do cidadão está sendo substituída pela mentalidade de que quanto mais se paga, melhor a qualidade dos serviços. Em termos de educação, os mais abastados podem pagar por um ensino de excelência, perpetuando seu pertencimento à elite, pois graças a isso conseguem bons empregos. Em relação à saúde, o atendimento público é a última opção por sua precariedade, portanto quem pode pagar prefere o acesso ao sistema privado.

Se por muito tempo o símbolo da desigualdade foi a dualidade entre morro e asfalto, hoje é o número de áreas VIP espalhadas pelo país. Com acesso crescente da classe C a lugares frequentados pela nata da sociedade - os “rolezinhos” dos jovens de classe baixa são uma representação da vontade de pertencimento a essa realidade -, o público elitizado infla a demanda pelo isolamento e pela personalização dos espaços exclusivos. A Copa do Mundo de 2014 é exemplo, uma vez que seus preços exorbitantes e camarotes representavam a “ostentação” e o acesso para poucos.

Diante disso, faz-se necessária a organização do Estado
para diminuir a segregação social por condição financeira. Em eventos nacionais, como as Olimpíadas de 2016, ou programas culturais, deve-se abolir os conceitos de áreas VIP e camarotes, aumentar a disponibilidade de ingressos a preços baixos ou regulamentar o acesso por gratuidade. O Governo deve, por meio da democracia, se organizar para garantir direitos básicos de qualidade aos cidadãos, trabalhando a igualdade e a inclusão. Somente dessa forma será possível reverter de forma definitiva a “camarotização” que se faz presente no Brasil.


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Comentários enviados

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    Enviado por Ariana Lobo

    A argumentação é pertinente e discute o tema de modo efetivo. Falta, entretanto, trazer referências extra (fora da coletânea) que enriqueçam a argumentação, como fatos, opiniões, notícias, etc. Isso demonstraria repertório sociocultural amplo e produtivo por parte do candidato, além de comprovar e corroborar o que é defendido. As referências aos "rolezinhos" e à Copa do Mundo de 2014 são pertinentes e poderiam ter sido mais exploradas, de modo a fortalecer a argumentação. A interdisciplinaridade também é uma estratégia positiva, que poderia ter sido utilizada. A proposta de intervenção sugere a abolição de "dos conceitos de áreas VIP e camarotes, aumentar a disponibilidade de ingressos a preços baixos ou regulamentar o acesso por gratuidade", mas como isso seria feito? Por quem? Por quais meios? O candidato sugere também que o governo garanta direitos básicos para a população, mas observe que essa é uma proposta demasiadamente abrangente. Por que esse trabalho do governo ajudaria a resolver o problema abordado? A proposta de intervenção deve ser pensada como um processo que responda as perguntas: o que deve ser feito ? Quem deve fazer? Como deve ser feito? O candidato faz excelente uso da modalidade escrita da língua portuguesa o candidato, bem como do tipo textual dissertativo-argumentativo. Atenção para os erros de digitação, o último parágrafo está "cortado".

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