Título da Redação: O classismo ideológico

Proposta: A “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia

Redação enviada há quase 3 anos por Daniel Rego


Desde o século XIX, o economista inglês Karl Marx criticava o capitalismo de seu tempo: denunciava injustiças sociais, a exploração dos trabalhadores e a antagonia já existente entre as classes sociais, por ele denominada "luta de classes". Passado mais de um século, o capitalismo contemporâneo, em sua quarta revolução industrial, continua sustentando e agravando a desigualdade não apenas na abordagem economicista, mas ao permitir antagonias classistas que culminam em um fenômeno de "camarotização" da sociedade, ou seja, na separação cada vez mais evidente dos espaços socioeconômicos, culturais e de lazer de cada classe.

Durante os governos pós-liberais no Brasil do século XXI, ocorreu um fenômeno de inclusão de mais pessoas nas classes médias ou consumidoras. Tal fenômeno veio como parte de políticas de valorização do trabalhador e de erradicação da pobreza que, somadas a um aumento da renda e do crédito, permitiram que indivíduos recém emersos da condição de subsistência passassem a dividir aeroportos, festas, condomínios e outros espaços com a tradicional classe média alta. No país da casa grande e da senzala, regido por uma ideologia da competência mesclada a elementos do liberalismo e à mentalidade escravocrata estimulados pela mídia nativa e pleo capital, que lucram com a venda de exclusividade, essa ascensão provocou uma reação: salas "VIP" em aeroportos, camarotes e caros e condomínios "especiais e exclusivos".

Sob o pretexto de se garantir uma abstrata segurança, melhor definida como afastamento dos "subalternos" por medo ou ideologia preconceituosa, tais serviços e espaços "VIP" minam um aspecto imprescindível da convivência democrática em uma sociedade tão complexa: o interfluxo entre classes na busca por um ideal comum de formação nacional, bem-estar e cidadania. Como na concepção grega de "polis", reforçada pelo dramaturgo alemão Gotthold Lessing, deveremos cultivar uma amizade cooperativista entre os cidadãos, acima das rivalidades de classe e tendo em vista o benefício mútuo e a formação de uma identidade de nação.


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Comentários enviados

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    Enviado por Ariana Lobo

    O candidato demonstra excelência no uso do registro formal da língua, bem como do tipo dissertativo-argumentativo. A argumentação é muito bem embasada e pertinente, as referências trazidas pelo candidato estão articuladas ao texto, tornando-o um todo orgânico. É interessante, entretanto, que o candidato comece e termine o texto com a sua própria voz, evitando iniciar e finalizar textos com citações. A citação feita ao final da redação é um embrião de proposta de intervenção, que poderia (e deveria) ter sido mais explorada e detalhada. A proposta de intervenção sugere que "deveremos cultivar uma amizade cooperativista entre os cidadãos, acima das rivalidades de classe e tendo em vista o benefício mútuo e a formação de uma identidade de nação", mas o que isso significa em termos de ações práticas? Quais ações criariam essa "amizade cooperativista"? Como isso seria feito? Por quem? A proposta de intervenção, para ser completa, precisa enumerar agentes e ações práticas, bem como o modo como tais ações seriam realizadas com o objetivo de resolver o problema abordado no texto.

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