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O parto deveria ser o momento mágico a partir do qual o bebê vem ao mundo, o clímax para o qual a mãe e seus familiares se preparam por nove meses. No Brasil, porém, ele é comercializado por motivos egoístas. Dentro do sistema capitalista voltado ao lucro, que se aproveita da ignorância e da impotência da população, até a vida humana se tornou moeda nas mãos dos profissionais da saúde.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos realizados sejam cesáreas, e esta é a média global. Isto porque a cesárea é mais danosa ao corpo da mãe, que precisará de uma quantidade de tempo maior para a recuperação. Terá que cuidar de si mesmo, em vez de cuidar da criança. Ao Estado, significa que a cesárea é mais custosa, devido á internação. O Brasil, entretanto, está longe destes parâmetros. A própria OMS afirma que 52% dos partos brasileiros são cesáreas. No Sistema Único de Saúde, o índice de 27% já é insatisfatório, mas na iniciativa privada ele é realmente absurdo: apenas 16% dos partos em hospitais privados são vaginais. Assim, a OMS estima que 11% das cesáreas desnecessárias do mundo são brasileiras, 560 mil anuais, em números absolutos.
A principal causa disso recai nos médicos. 70% das mulheres grávidas começam a gestação com desejo por parto normal e mudam de ideia, sugerindo orientação para tanto. Em defesa própria, estes profissionais exigem remuneração diferenciada para cesáreas (mais curtas) e partos vaginais, com indicação de pagamento por hora. Estes médicos esqueceram suas obrigações como profissionais: proteger a saúde mental e física de pessoas. Em vez disso, priorizam o lucro.
Para manterem a extorsão da sociedade, os mais mesquinhos foram além: convenceram a maioria dos brasileiros de que as cesáreas são modernas e melhores; fizeram uma propaganda negativa sobre o parto tradicional, taxado de longo e doloroso em comparação. Este mito não corresponde à realidade, pois ambos os procedimentos contam com analgesia moderna. Às mulheres mais perseverantes em busca pelo parto vaginal restam poucas opções. Estas são negligenciadas, e muitas vezes deliberadamente sabotadas, pelos médicos mercenários da saúde.
Cabe ao Brasil a efetiva punição destes desumanos, algo que não é fácil. Por gerações, a medicina foi elitizada no país, restrita aos abastados (com notáveis ressalvas), muitas vezes associados à política. Assim, a medicina se tornou uma profissão poderosa e supervalorizada social e economicamente. Em curto prazo, a punição àqueles que se corromperam por esse sistema é necessária para a justiça. Em longo prazo, entretanto, a melhor atitude é a facilitação do acesso ao diploma de médico, para que o critério de escolha da profissão seja a afinidade real e não sua rentabilidade.


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Competência Nota Comentário

Competência 1

Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

160 Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita.

Competência 2

Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

160 Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão.

Competência 3

Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

160 Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista.

Competência 4

Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

120 Articula as partes do texto, de forma mediana, com inadequações e apresenta repertório pouco diversificado de recursos coesivos.

Competência 5

Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

160 Elabora bem proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.
Nota total 760

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